‘Florestas Energéticas – Oportunidade de Investimento Sustentável’ é o tema da palestra da ABAF no IV Simpósio Nacional sobre Bioenergia

Nos próximos 26 e 27 de outubro será realizado o IV Simpósio Nacional sobre Bioenergia (IV SNB) na Faculdade de Tecnologia e Ciências (FTC), localizada na Av. Luis Vianna Filho, 8812, Pituaçu. O diretor executivo da Associação Baiana das Empresas de Base Florestal (ABAF), Wilson Andrade, será um dos palestrantes e vai abordar, dia 26/10, às 9h, o tema “Florestas Energéticas – Oportunidade de Investimento Sustentável”.

De acordo com Luis Cesar M S Paulillo, Coordenador do Programa de Mestrado Profissional em Bioenergia (MPB) da FTC, o IV Simpósio Nacional sobre Bioenergia (IV SNB) tem como finalidade promover a interação entre instituições e organizações envolvidas com o desenvolvimento de pesquisas e tecnologias aplicadas à produção de Bioenergia com atenção às dimensões econômicas, ambientais e sociais em nível local, regional e nacional.

“O evento visa promover o encontro e a articulação entre especialistas nas vertentes ambiental e tecnológica da Bioenergia, fortalecendo assim o compartilhamento de informações e ideias. Além disso, propõe a construção de projetos e planejamentos estratégicos que atendam aos pilares sociais, ambientais e tecnológicos, previstos nos Programas Governamentais para a área de Bioenergia, com foco no uso eficiente da biomassa em todos os níveis”, explica.

Ao longo dos dois dias de evento serão discutidos temas relacionados à agenda de debate nacional no âmbito da Bioenergia: Tecnologia, Sustentabilidade Econômica e Meio Ambiente. Serão convidados pesquisadores de diferentes regiões do País, com forte atuação em suas áreas, permitindo assim, a interação entre os diferentes campos do conhecimento que perfazem a Bioenergia. Os participantes poderão conferir também palestras com pesquisadores de instituições renomadas, além de apresentações de painéis e orais de pesquisadores de outras Instituições de Ensino Superior, participantes das empresas e governo, promovendo um debate amplo e produtivo sobre o setor de Bioenergia do País.

Biomassa de eucalipto

O ano de 2017 já entrou com perspectivas positivas para o setor florestal brasileiro de energia. Dados do Ministério de Agricultura, Pecuária e Abastecimento (MAPA) mostram quem existem cerca de 105 milhões de hectares de áreas degradadas disponíveis no país para a plantação energética. De acordo com o especialista Javier Escobar, o qual faz parte do Grupo de Pesquisa em Bioenergia do Instituto de Energia e Ambiente da USP, alguns estudos realizados em 2013 já comprovam que a energia limpa produzida pelas florestas energéticas pode ser comparada a mesma quantidade de produção de outras fontes renováveis.

A expectativa do setor é que o Brasil acelere a expansão sustentável de florestas energéticas durante o ano, chegando assim a um crescimento de médio de um milhão de hectares ao ano. Segundo Escobar é possível afirmar que o Brasil tem grandes chances de produzir bioenergia de madeira sustentável e economicamente competitiva para exportação.

A indústria de energia de biomassa de eucalipto é a mais recente e que tem mais a contribuir para a diversificação da matriz energética do estado, atendendo a demanda das regiões mais distantes e que dependem de investimentos de redes de distribuição, inclusive se levarmos em conta a matriz eólica ou solar. A quem menos exige unidades de transmissão é a energia de biomassa de eucalipto. E, na Bahia, já temos bons exemplos nesta área: a usina Campo Grande, em implantação em Barreiras, a unidade da ERB que funciona na Dow Química e atende boa parte da sua demanda em energia e calor; e a Solid – primeira fábrica de pellets de madeira da Bahia. O empreendimento, do grupo baiano Solid Energia Renovável, está sendo construído em São Sebastião do Passé e vai produzir inicialmente 24 mil toneladas por ano. A capacidade total, no entanto, é de 48 mil toneladas.

E, mais, a utilização da energia da biomassa do eucalipto pode ajudar ainda mais outro setor que utiliza a madeira plantada na Bahia: a mineração. Na indústria de mineração do vanádio, por exemplo, que ainda usa combustíveis fósseis pode ser substituída pela energia de biomassa de eucalipto. No Brasil, até 2020, a produção de energia a partir de biomassa florestal deve chegar a 22 terrawatts-hora (TWh), o equivalente a quase 25% de toda a produção de Itaipu em 2015. A projeção para o uso energético da madeira é ainda mais promissora nas próximas décadas, até 2050, atingindo 70 TWh, segundo dados da Empresa de Pesquisa Energética (EPE).