Florestas plantadas é tema na ‘I Semana Acadêmica de Engenharia Florestal do Recôncavo da Bahia’

“Florestas plantadas: oportunidades de investimentos sustentáveis” foi o tema da palestra que o diretor executivo da Associação Baiana das Empresas de Base Florestal (ABAF), Wilson Andrade, realizou em 09/11, às 10h15, como parte da I Semana Acadêmica de Engenharia Florestal do Recôncavo da Bahia (SAEFLOR). O evento, promovido pelo diretório acadêmico de Engenharia Florestal da Universidade Federal do Recôncavo da Bahia (UFRB) aconteceu de 8 a 10/11 no Anfiteatro da Reitoria UFRB, Campus Cruz das Almas (BA).

Tendo como tema ” Preservação, Produtividade e Profissionalismo”, a semana teve como objetivo promover a capacitação e atualização dos discentes em temas relacionados à área de produção florestal e do meio ambiente por meio de um espaço de integração entre grupos acadêmicos e profissionais. Além da ABAF, empresas como a Suzano Papel e Celulose e a BSC/Copener também compartilharam suas experiências.

Segundo Andrade, os trabalhos desenvolvidos por universidades são fundamentais para a atividade florestal. “A parceria entre iniciativa privada e academia já provou que colheu bons resultados, como o aumento da produtividade por hectare, controle eficiente de pragas e uma convivência comprovada entre lavoura, pecuária e floresta. O setor é reconhecido pelo uso de alta tecnologia empregada e aperfeiçoada pelas empresas do setor, com base em experiências internacionais e parcerias com a Embrapa e pesquisadores nacionais”.

Para Andrade, além de tudo isso a academia tem muito a oferecer para melhorar as vantagens competitivas do setor. “Precisamos trabalhar para que o mercado atenda as demandas locais por madeira. Temos, aqui na Bahia, ótimas iniciativas no setor de celulose e papel, por exemplo, mas o mercado tem que se desenvolver de forma mais ampla. Precisamos produzir madeira para a construção civil e, por outro lado, mostrar para este segmento que madeira plantada é um ótimo material e pode ser até mais competitivo que os demais”, informou.

Ele reforçou que este trabalho já tem sendo desenvolvido, através do Programa Mais Árvores Bahia, pela ABAF em parceria com uma série de entidades ligadas à agricultura, indústria e à qualificação de mão de obra. “O programa tem o objetivo de incentivar a inclusão de pequenos e médios produtores no plantio, manejo e processamento da madeira de florestas comerciais para usos múltiplos. O programa trabalha, ao mesmo tempo, com três vértices: produtores de madeira; compradores e processadores de madeira; e consumidores finais (através das revendas de madeira, indústrias de móveis e construção civil). Com isso, visa atender também a demanda por móveis, peças e partes de madeira para construção civil na Bahia – hoje atendida, na sua maior parte, por outros estados brasileiros”, explicou.

Este programa ganhou mais uma área de atuação com a criação do Grupo de Trabalho (GT) Pesquisa em Madeira, formado por representantes das universidades da Bahia. Em reunião realizada dia 28/06/17 na Escola Politécnica da UFBA, o grupo definiu algumas ações prioritárias para otimizar a parceria entre a academia e as empresas do setor de base florestal. “Pretendemos que os alunos tenham uma visão mais ampla e positiva do uso da madeira plantada na Construção Civil e na Arquitetura. As empresas e a universidade podem trabalhar juntas em pesquisas que vão atender as demandas dos alunos, mas também do mercado”, declarou Sandro Fabio César, professor da área Disciplinar de Construções de Madeira do Departamento de Construção e Estruturas (DCE) da Escola Politécnica.

A ABAF e o setor de base florestal

 “O setor de base florestal continua com possibilidade de crescimento em termos de exportações e investimentos porque recebe alavancagem de diferentes setores que utilizam madeira plantada em seus processos produtivos: papel e celulose; construção civil; mineração; e energia de biomassa, entre outros. Mas, além dos reconhecidos benefícios econômicos, este setor gera impacto positivo no que diz respeito ao meio ambiente, compromisso social e qualidade de vida. É importante ainda destacar o papel das florestas plantadas no segmento de baixo carbono.

Os 7,8 milhões de hectares de florestas plantadas do Brasil estocam 1,7 bilhões de toneladas de CO2eq – o que equivale a um ano das emissões nacionais de CO2eq (medida que expressa a quantidade de gases de efeito estufa (GEEs) em termos equivalentes da quantidade de dióxido de carbono (CO2))”, acrescenta.

Árvores plantadas são cultivadas atendendo a planos de manejo sustentável que tem como objetivo reduzir os impactos ambientais e promover o desenvolvimento econômico e social das comunidades vizinhas. Plantadas para evitar a pressão e degradação de ecossistemas naturais, as florestas contribuem ainda para o fornecimento de biomassa florestal, lenha e carvão de origem vegetal. Os plantios de árvores desempenham importante papel na prestação de serviços ambientais: evitam o desmatamento de hábitats naturais, protegendo assim a biodiversidade; preservam o solo e as nascentes de rios; recuperam áreas degradadas; são fontes de energia renovável e contribuem para a redução das emissões de gases causadores do efeito estufa por serem estoques naturais de carbono.

“Tudo isso também nos coloca em vantagem, inclusive, no que diz respeito ao Acordo de Paris. Por ele, o Brasil compromete-se a reduzir as emissões de gases de efeito estufa em 37% abaixo dos níveis de 2005, até 2025, com uma contribuição indicativa subsequente de reduzir as emissões de gases de efeito estufa em 43% abaixo dos níveis de 2005, até 2030. Para isso, o país se compromete a aumentar a participação de bioenergia sustentável na sua matriz energética para aproximadamente 18% até 2030, restaurar e reflorestar 12 milhões de hectares de florestas, bem como alcançar uma participação estimada de 45% de energias renováveis na composição da matriz energética em 2030”, informa Andrade.