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Entrevista: Presidente da Bracelpa apresenta desempenho do setor de C&P

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A Associação Brasileira de Celulose e Papel (Bracelpa) divulgou boletim que mostra os dados preliminares do desempenho do setor de celulose e papel em agosto. Já é possível notar uma evolução no cenário de comércio internacional, por conta da retomada das demandas do mercado, que apresentou uma leve alta nos dados de produção, exportação e vendas domésticas do setor.

Em agosto, a produção de celulose cresceu 8,7% e a exportação aumentou 21,8% em relação ao mesmo período do ano passado. O mesmo ocorreu no segmento de papel, que teve alta de 4,4% na produção e de 1,4% nas vendas domésticas nos períodos indicados.

A Balança Comercial do setor, porém, demonstra que a receita não tem se recuperado no decorrer do ano e ainda está 20% abaixo dos níveis de 2008 – um forte indicativo dos efeitos da crise no setor. Nesse sentido, a retomada de preços da celulose no mercado internacional será um fator essencial para a melhoria dos resultados financeiros nos próximos meses.Confira entrevista com a presidente executiva da entidade, Elizabeth de Carvalhaes.

Celulose Online: As exportações brasileiras de celulose atingiram um aumento de 21,8%. Quais as medidas utilizadas para fomentar o crescimento? Esse aumento atingiu as estimativas esperadas para o setor ou esse resultado ainda apresentou sinais da crise?

Elizabeth de Carvalhaes:
Esse foi um excelente resultado para o setor neste ano. Trata-se, na verdade, do aumento na demanda pelo produto, um sinal de que o mundo começa a se recuperar da forte crise que abalou os mercados recentemente. Outra explicação para o aumento das exportações é o fechamento de fábricas de celulose, principalmente na Europa, que tinham altos custos de produção se comparados aos das empresas brasileiras, e não suportaram os impactos da crise. É importante destacar também o aumento de demanda da fibra de eucalipto brasileira pela China, uma vez que esse país busca celulose de melhor qualidade para aprimorar o papel que exporta.

Celulose Online: A Fibria, resultante da junção entre VPC e Aracruz, comunicou a seus clientes um reajuste de 50 dólares no valor da celulose a partir do início do mês de outubro. Qual a expectativa para o aumento de preços do setor para os próximos meses e como esse futuro aumento se reflete no mercado? 

Elizabeth de Carvalhaes:
O aumento de preços será positivo para o setor, uma vez que eles ainda estão abaixo dos níveis de 2008. O principal impacto positivo da elevação de preços é o aumento das receitas das empresas.

Celulose Online: No ultimo boletim divulgado pela Bracelpa, uma das saídas para a melhoria dos resultados financeiros nos próximos meses seria a retomada de preços da celulose no mercado internacional. O que caracterizaria essa retomada de preços?

Elizabeth de Carvalhaes:
É uma aproximação aos preços praticados em 2008. No ano passado, o preço da tonelada de celulose chegou a quase US$ 840, mas com a crise financeira internacional, despencou para US$ 480. Aos poucos, o insumo tem recuperado valor, hoje já está acima de US$ 550 por tonelada.

Celulose Online: A Balança Comercial do setor apresentou uma redução de 20% com relação aos níveis de 2008. Por que o crescimento das exportações e produção apresentados no boletim não foi refletido na Balança Comercial?
 Elizabeth de Carvalhaes: Os dados da Balança Comercial trazem o resultado financeiro do setor com a exportação dos produtos. Uma vez que o preço da celulose, em 2009, é inferior ao praticado em 2008, a receita da comercialização não é a mesma.

Celulose Online: Em que posição o Brasil se encontra no Ranking Mundial de produção e exportação de celulose? Existe algum movimento para a melhoria deste posicionamento dentro do Ranking?

Elizabeth de Carvalhaes:
Atualmente, o Brasil é o quarto maior produtor de celulose. A meta do setor para 2009 é manter a mesma produção de 2008, ou seja, 12,7 milhões de toneladas de celulose, o que fará com que o Brasil mantenha a posição de 4º produtor mundial de celulose. Nos próximos anos, o setor investirá para superar a produção da China.

Celulose Online: Os dois maiores consumidores da celulose brasileira são Europa e China. Existe uma expectativa de procura por novos mercados para o Brasil?

Elizabeth de Carvalhaes:
Ainda acreditamos que há muito espaço para crescer nesses dois mercados. A China quer se tornar um importante produtor mundial de papel e o Brasil tem condições de ser um fornecedor de primeira linha para o mercado chinês. Por ora, é preciso avaliar se o País terá um crescimento contínuo e crescente.


Por Cecília Paterno, de Celulose Online
 

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