Meus antepassados, a começar pelo meu bisavó que quando desembarcou no Brasil tratou de montar uma serraria, se dedicaram a derrubar árvores e as serrar. Muitos vagões de madeira foram enviados por meu avô para o porto para serem embarcados para a Europa. Quem mais me marcou, no entanto, foi um de meus tios que era o lenhador da família. Ele era quem ia inspecionar a mata, avaliar as árvores e finalmente colocá-las no chão.Mesmo assim, o que surpreendia é que ele amava profundamente as florestas e as árvores. Ele não admitia derrubar uma árvore que não estivesse “madura” para ser cortada ou que tivesse algum defeito grave que permitiria um baixo aproveitamento na serraria. Finalmente, realizava as mais complexas manobras para que a árvore que ele cortasse não derrubasse outras desnecessariamente. Foi ele que me ensinou o valor do manejo, realizando a exploração da floresta com o mínimo possível de danos e preservando o máximo para o futuro. Quando surgiu a obrigação das serrarias compensarem o corte com o plantio de novas árvores, ele já tinha um grande reflorestamento.Lembro disto sempre que vejo a verdadeira devastação que se realiza em algumas áreas pioneiras em que, além de derrubarem tudo que vem pela frente ainda deixam secar e colocam fogo, realizando um baixíssimo aproveitamento da madeira. Nestas regiões deveriam ser utilizadas técnicas totalmente dominadas de que se dispõe atualmente para realizar um aproveitamento integral da mesma como já está sendo realizado parcialmente em alguns lugares. O modelo pressupõe a existente um uma razoável área floresta explorável – seja nativa ou plantada – nas proximidades.O projeto do distrito industrial deve começar pela termoelétrica que utiliza os resíduos florestais como combustível, produzindo vapor em alta pressão para acionar as turbinas e produzir energia elétrica. Depois de gerar energia elétrica, teremos ainda disponível o vapor agora com pressão mais baixa que poderá ser aproveitado para secar madeira, grãos, processar frutas ou mesmo em atividades industriais mais complexas.Note-se que o vapor sempre tem um custo que no caso, seria apenas o custo dos resíduos florestais utilizados em sua produção, ou seja, pagar pelo transporte e processamento dos mesmos. Estas empresas não precisariam investir em caldeiras e nem pagar pela sua manutenção e operação.Por outro lado, vendendo o vapor resultante do processo, a usina produz energia elétrica a um custo zero de combustível e por isto todos os ganhos com a venda da energia elétrica seriam integralmente para pagar o investimento na usina – que é relativamente baixo - gerando um grande lucro.Finalmente, com a disponibilidade de madeira adequadamente processada, seria possível a instalação de indústrias de móveis e outros produtos de madeira cujos resíduos também seriam combustível para a usina. Atualmente já existem diversas regiões em que o vapor é gerado com resíduos florestais assim como existem termoelétricas funcionando com o mesmo combustível e com alguns consumidores integrados mas, não tenho conhecimento de nenhum projeto realmente amplo e planejado em que a proximidade entre as diversas empresas seja suficientemente pequena para que a perda na transmissão do vapor seja baixa. Será que não vale tentarmos evitar o desperdício e pensar de uma forma construtiva para aproveitar ao máximo os recursos que a natureza nos proporciona? |
Lourival Karsten. Administrador e consultor. Formado em Ciências Contábeis, com pós-graduação em Administração, Marketing e Publicidade e em Tecnologia Têxtil. É executivo de empresas, professor universitário e consultor em gestão de empresas. Fonte: Celulose Online |

