Mais de 200 pessoas participam de encontro sobre os benefícios da silvicultura em Itamaraju

Mais de 200 pessoas, principalmente pequenos e médios produtores rurais, participaram no último dia 30 de agosto, na Câmara de Vereadores de Itamaraju, do encontro ‘Oportunidades de negócios na cadeia produtiva da silvicultura (bens madeireiros e não-madeireiros) e seus benefícios para a região’. O evento, promovido pelo Programa Ambiente Florestal Sustentável (PAFS) – uma iniciativa da Associação Baiana das Empresas de Base Florestal (ABAF) com a ADAB – contou com a parceria do Sindicato Rural de Itamaraju e apoio da Câmara de Vereadores e da Prefeitura de Itamaraju.

O encontro teve início com a abertura do presidente da Câmara de Vereadores, Francisco Chagas, seguido pelo discurso do presidente do Sindicato Rural, Everaldo Melo que reforçou a importância do debate para a cidade. “Itamaraju carece de alternativas sustentáveis e acredito que a silvicultura pode ser mais uma opção de desenvolvimento, visto que nossa atividade agrícola é bastante diversificada e nossas condições edafoclimáticas são as melhores para o cultivo de florestas”, reforçou.

Seguindo a programação, foram realizadas quatro palestras: ‘Apresentação sobre o Setor Florestal na Bahia e Brasil’, por Wilson Andrade (Diretor Executivo da ABAF); ‘Programa Ambiente Florestal Sustentável’, por Paulo Andrade (Coordenador do programa); ‘Aspectos Sociais, Econômicos e Ambientais das Plantações Florestais’, por Sebastião Valverde (Universidade Federal de Viçosa) e ‘Regularização e Licenciamento Ambiental’, por Leandro Mosello Lima (Consultor Jurídico). Posteriormente, todos os participantes foram convidados a debater os temas.

Durante o evento, 98 pessoas responderam a um questionário sobre diversificação da produção rural e a silvicultura, entre outros assuntos. Desses 92% acreditam na diversificação de atividade nas propriedades rurais; 78% gostariam de ter uma renda adicional; 67% disseram que o eucalipto poderia ser uma opção.

O produtor rural Guido Carimã, presente no evento, informou ser favorável à silvicultura. “Temos áreas à vontade para plantar. Áreas que não dá capim, não dá nada. É plantar eucalipto que dá e ainda gera emprego. Além disso, eucalipto ajuda a conservar as florestas que existem; e não seca as nascentes. É planta, é árvore!”, disse. O produtor Laércio Gomes Correia declarou que este tipo de debate promovido é muito importante porque sempre que se fala em algo novo, o natural é as pessoas terem medo. “As palestras de hoje nos ajudaram a entender mais o assunto. O eucalipto é mais uma alternativa de negócio para incrementar as propriedades rurais dos produtores”, informou.

O ambientalista conhecedor da região, João Esteves, concordou que toda e qualquer discussão é viável. “Não podemos desprezar que novas culturas venham a incrementar a economia, não só da cidade, como da região. O eucalipto, como as demais culturas, é uma boa oportunidade que deve ser estudada com critérios definidos”, disse.

De acordo com Wilson Andrade, o encontro foi muito positivo porque abre a oportunidade de trazer mais conhecimento sobre o setor e suas vantagens. “A Bahia ainda não produz (e processa) a madeira plantada suficiente no estado e muito disso se dá pela falta de conhecimento sobre o setor. Trabalhamos, inclusive, para a inclusão dos pequenos e médios produtores e processadores de madeira para uso múltiplo, visando o atendimento da demanda por móveis, peças e partes de madeira na Bahia – hoje atendida, na sua maior parte, por outros estados brasileiros. Em resumo, a atividade adicional com plantio de eucalipto aumenta a renda do produtor, reduzindo o risco de concentração em uma só cultura e, no município gera renda, emprego, impostos e demanda por produtos e serviços”, explicou.

O professor Sebastião Valverde acrescentou que as atividades florestais não são competitivas em relação a outras culturas já existentes. “As florestas plantadas vêm para somar, a complementar as atividades de uma região, ocupando áreas que estão social e ambientalmente não correspondendo aos anseios da sociedade”, declarou.

Florestas plantadas – O setor, além dos aspectos econômicos, gera impacto positivo no que diz respeito ao meio ambiente, compromisso social e qualidade de vida. Árvores plantadas são cultivadas atendendo a planos de manejo sustentável que tem como objetivo reduzir os impactos ambientais e promover o desenvolvimento econômico e social das comunidades vizinhas. Plantadas para evitar a pressão e degradação de ecossistemas naturais, as florestas contribuem ainda para o fornecimento de biomassa florestal, lenha e carvão de origem vegetal.

Os plantios de árvores desempenham importante papel na prestação de serviços ambientais: evitam o desmatamento de habitats naturais, protegendo assim a biodiversidade; preservam o solo e as nascentes de rios; recuperam áreas degradadas; são fontes de energia renovável e contribuem para a redução das emissões de gases causadores do efeito estufa por serem estoques naturais de carbono.

O Programa – O PAFS é um programa coordenado pela ABAF em parceria com a ADAB e vem trabalhando temas relativos à educação ambiental em comunidades rurais, como: Uso Múltiplo da Floresta Plantada; Regulamentação Ambiental das Propriedades Rurais (Código Florestal/ CAR/ Cefir); Integração Lavoura, Pecuária e Floresta (iLPF)/Agricultura de Baixo Carbono (Plano ABC); Preservação dos Recursos Hídricos; Prevenção e Controle de Incêndios Florestais; Controle de Gado nas Áreas de Preservação; Combate ao Carvão Ilegal e Programa Fitossanitário de Controle de Pragas.

O resultado tem sido muito positivo graças às parcerias feitas com o Governo do Estado, através da Seagri e ADAB; Sindicados Rurais da FAEB/Senar; e Prefeituras, através de suas secretarias de agricultura e meio ambiente.  “Acreditamos que a responsabilidade de uma produção rural sustentável tem que ser de todos nós”, acrescenta Andrade.  O PAFS conta com uma equipe de engenheiros (agrônomos e florestais) que vem trabalhando com uma estrutura formada por veículos, equipamentos audiovisuais, campanha publicitária e material informativo. Após intenso trabalho em cerca de 1 ano, o PAFS percorreu mais de 103 mil quilômetros, realizou cerca de 114 treinamentos em aproximadamente 100 comunidades, instruindo cerca de 4 mil produtores rurais de frutas, eucalipto, café, entre outras culturas, da região.