Sem Categoria

Canteiro experimental na UFPR vai ser realidade

 

maquete_UFPR-3-300x225

A popularização do uso da madeira na construção civil passa, primeiramente, pela educação. É o que acreditam a chefe do departamento de Arquitetura e Urbanismo da Universidade Federal do Paraná (UFPR), Andrea Berriel, e a coordenadora do Centro de Estudos em Geoprocessamento da UFPR, Lisana Schmitz. Para ajudar nesse processo, elas mantêm um trabalho ativo na universidade para criar interesse nos alunos pelo tema e também para ensinar sobre o material construtivo. No momento, a universidade conta com uma disciplina de Estruturas de Madeira, mas os planos delas são mais ambiciosos. Prova disso é o canteiro experimental de Arquitetura da UFPR, que está prestes a sair do papel. A área já foi pleiteada dentro da universidade e o espaço terá, segundo as duas docentes, grande enfoque em madeira. A expectativa é de que o departamento possa começar a trabalhar no projeto no segundo semestre de 2016.

“Queremos levar a maquetaria do curso para o mesmo espaço, com o intuito de unir os equipamentos e ferramentas também com a marcenaria e carpintaria. Vamos construir protótipos na escala de 1 para 1, colocá-los no sol e na chuva, fazer ensaios estruturais e muito mais. Certamente vamos conseguir realmente dar um grande salto dentro da universidade. Tudo isso faz parte do nosso plano daqui para frente”, explica Andrea Berriel.

O projeto deste canteiro experimental já foi formulado e está tramitando dentro da UFPR. Um dos grandes diferenciais deste projeto é que o departamento está buscando manter o diálogo com as pessoas que estão dispostas a colaborar com a proposta e envolvendo-os na discussão, como o setor industrial, os escritórios de arquitetura e as universidades parceiras. A Universidade de São Paulo (USP) – Unidade São Carlos e a Universidade Tecnológica Federal do Paraná (UTFPR) são dois exemplos, pois já contam com canteiros experimentais para aprofundar a construção com madeira. Mas a chefe do departamento de Arquitetura e Urbanismo da UFPR adianta que a proposta é fazer algo diferente neste novo projeto.

“Vamos construir protótipos, mas o que queremos fazer aqui não é somente o ensaio do ponto de vista tecnológico da madeira, e, sim, algo que transcende os elementos pragmáticos, pensando na linguagem arquitetônica, que tem a sua origem em arquiteturas passadas e, ao mesmo tempo, mantém o compromisso com o contemporâneo e o que estamos vivendo hoje. Precisamos ter uma arquitetura coerente. Dessa forma, acredito que vamos nos diferenciar de outras pesquisas que já têm sido feitas. O canteiro da UFPR também vai ser tecnológico, como é o da UTFPR, por exemplo, mas nossa proposta é fazer esse aprofundamento da discussão sobre a linguagem”, revela.

Sobre isso, Lisana Schmitz explica que o departamento quer fazer com que os alunos aprendam como fazer uso correto das diferentes peças em uma obra de forma a qualificar e potencializar o uso da madeira. “Envolve a qualidade técnica e o correto emprego das peças. O resultado transcende tudo isso, tem o compromisso com a linguagem contemporânea. Isso é a boa arquitetura: é buscar qualidade tecnologia e, ao mesmo tempo, algo coerente”, reforça.

Com relação à expectativa dos alunos para a novidade, Lisana garante que eles já demonstraram grande interesse neste tema e estão ansiosos pelo início. “O que eles querem é materializar tudo o que aprendem. Por isso, já estão estudando as possibilidades de solução construtiva para esse espaço. Estão muito engajados e já apresentaram, inclusive, propostas e maquetes”, destaca.

Projetos de extensão

O departamento de Arquitetura e Urbanismo da UFPR também vem trabalhando para popularizar a madeira como material construtivo e divulgar os diferenciais dessa matéria-prima. Dessa forma, alguns eventos de extensão já foram realizados pelo curso.

Em 2015, os alunos participaram de duas atividades de extensão que foram intensas. Uma delas foi montar a maquete do museu Yusuhara Wooden Bridge, que fica no Japão e foi projetado pelo arquiteto japonês Kengo Kuma. A oficina teve apoio da Associação Paranaense de Empresas de Base Florestal (Apre) e fez parte da exposição “Arquitetura da Madeira para o Século XXl”, de curadoria do renomado arquiteto Marcelo Aflalo, que também é colunista do portal Madeira e Construção.

A segunda grande atividade foi justamente trabalhar na montagem dessa exposição, o que foi, de acordo com Andrea, um desafio tanto para os alunos, como para a universidade. Participaram da atividade estudantes da UFPR e de outras universidades. O grupo levou aproximadamente 20 dias para finalizar a exposição. “Envolvemos os alunos nesse processo para que eles pudessem entender e compreender o sistema construtivo com madeira”, completa Andrea Berriel.
(Portal Madeira e Construção)