Florestas plantadas no Fórum Sustentabilidade & Governança

A Associação Baiana das Empresas de Base Florestal (ABAF) participa do Fórum Sustentabilidade & Governança que a STCP Engenharia de Projetos e a Milano Consultoria e Planejamento realizam nos dias 22 e 23 de agosto de 2017, na FAE Business School, em Curitiba (PR). A participação da ABAF se dá pela mediação do diretor executivo Wilson Andrade no painel “As florestas, o clima, a biodiversidade e as metas de desenvolvimento sustentável da ONU”, de Manoel Sobral Filho, Diretor Executivo do Fórum de Florestas da ONU (UNFF) – destaque às 9h do segundo dia do evento.

“Neste ano, a STCP e a Milano repetem este evento de sucesso que promove a discussão de alto nível sobre assuntos de vanguarda. Com visão pioneira, a STCP contribui para o crescimento de diversos segmentos de importância econômica no país”, declara Wilson Andrade, que também é membro do Comitê Consultivo (CC) do Fundo Comum de Commodities (CFC) da Organização das Nações Unidas (ONU).

Além disso, Andrade acredita que Manoel Sobral Filho vai apresentar oportunidades e soluções para o corte nas emissões de gases-estufa e a adaptação aos impactos da mudança do clima.  “É preciso um novo modelo de negócios que possibilite canalizar investimentos para atividades sustentáveis. A responsabilidade é de todos, mas é preciso que as empresas incorporem o conceito de sustentabilidade em seus negócios. Mercados de créditos de carbono, taxação ao carbono sem aumento da carga tributária e instrumentos como green bonds – os títulos de financiamento da dívida que podem apoiar projetos sustentáveis – vêm ganhando espaço”, analisa.

“O setor de base florestal continua com possibilidade de crescimento em termos de exportações e investimentos porque recebe alavancagem de diferentes setores que utilizam madeira plantada em seus processos produtivos: papel e celulose; construção civil; mineração; e energia de biomassa, entre outros. Mas, além dos reconhecidos benefícios econômicos, este setor gera impacto positivo no que diz respeito ao meio ambiente, compromisso social e qualidade de vida. É importante ainda destacar o papel das florestas plantadas no segmento de baixo carbono. Os 7,8 milhões de hectares de florestas plantadas do Brasil estocam 1,7 bilhões de toneladas de CO2eq – o que equivale a um ano das emissões nacionais de CO2eq (medida que expressa a quantidade de gases de efeito estufa (GEEs) em termos equivalentes da quantidade de dióxido de carbono (CO2))”, acrescenta.

Árvores plantadas são cultivadas atendendo a planos de manejo sustentável que tem como objetivo reduzir os impactos ambientais e promover o desenvolvimento econômico e social das comunidades vizinhas. Plantadas para evitar a pressão e degradação de ecossistemas naturais, as florestas contribuem ainda para o fornecimento de biomassa florestal, lenha e carvão de origem vegetal. Os plantios de árvores desempenham importante papel na prestação de serviços ambientais: evitam o desmatamento de hábitats naturais, protegendo assim a biodiversidade; preservam o solo e as nascentes de rios; recuperam áreas degradadas; são fontes de energia renovável e contribuem para a redução das emissões de gases causadores do efeito estufa por serem estoques naturais de carbono.

“Tudo isso também nos coloca em vantagem, inclusive, no que diz respeito ao Acordo de Paris. Por ele, o Brasil compromete-se a reduzir as emissões de gases de efeito estufa em 37% abaixo dos níveis de 2005, até 2025, com uma contribuição indicativa subsequente de reduzir as emissões de gases de efeito estufa em 43% abaixo dos níveis de 2005, até 2030. Para isso, o país se compromete a aumentar a participação de bioenergia sustentável na sua matriz energética para aproximadamente 18% até 2030, restaurar e reflorestar 12 milhões de hectares de florestas, bem como alcançar uma participação estimada de 45% de energias renováveis na composição da matriz energética em 2030”, informa Andrade.

CFC – O Comitê Consultivo (CC) do Fundo Comum de Commodities (CFC) da Organização das Nações Unidas (ONU) tem como missão apoiar projetos de desenvolvimento integral de commodities em todo o mundo. Entre 2012 e 2015, o CFC aprovou 348 projetos no valor total de US$ 600 milhões atendendo demandas, inclusive do Brasil, de madeira, algodão, gado, juta, sisal, cacau, café, couro, batata, caju, chá, frutas, peixe, mel, milho, flores, bambu e leite. Os projetos devem ser financeiramente sustentáveis, escaláveis e com amplo impacto no desenvolvimento das partes interessadas nas cadeias de valor das commodities. Devem criar emprego; aumentar a renda familiar; reduzir a pobreza; melhorar a segurança alimentar e criar colaboração efetiva e econômica entre produtores, indústrias, governos, organizações da sociedade civil e outros interessados no desenvolvimento baseado em commodities.

Para Wilson Andrade, com a presença de um brasileiro no CC, o Brasil ganha pelo acesso às informações e pela maior interação entre os países no desenvolvimento de commodities. “O Brasil precisa se internacionalizar mais. O país, por exemplo, participa com apenas 1% das exportações mundiais. E este esforço não pode ser só do Governo. Na participação do CC, temos a possibilidade de trazer informações importantes para o Brasil e, com isso, estarmos mais perto das oportunidades. E não apenas pela possibilidade de atração de financiamento, mas pela proximidade com outros fundos da ONU e de países-membros nas áreas sociais, ambientais e econômicas. Além disso, podemos levar a possíveis interessados as demandas da área do agronegócio – o setor que mais ajuda o Brasil a crescer”, explica o empresário.

O evento – Como nas edições anteriores, quatro painéis estruturam o fórum, sempre precedidos de palestras principais com temas atuais e que destacam a importância da Governança da Sustentabilidade. A palestra de abertura do 1º dia do Fórum trará o tema: “A economia da Sustentabilidade: Custos e Benefícios de Boas Práticas” seguida do 1º painel onde serão apresentados os cases corporativos da WestRock, Cargill e JTI, que buscarão retratar as tendências em sustentabilidade e governança das corporações. O 2º painel tratará dos temas como Energia, Tecnologia, Inovação e Sustentabilidade, contando com a presença das empresas MRV Construções, Mepen Energia e Itaipu Binacional. O encerramento do dia será com Luís Veiga da Sociedade Ponto Verde de Portugal versando sobre “Economia Circular, Logística Reversa e Novos Negócios: o Case Ponto Verde”.

O segundo dia será aberto por Manoel Sobral Filho, Diretor Executivo do Fórum de Florestas da ONU – UNFF, com o tema “As florestas, o clima, a biodiversidade e as metas de desenvolvimento sustentável da ONU”. Nesse dia os painéis tratarão, sucessivamente de “Capital Natural e Sustentabilidade Corporativa” com presença de David Brand da New Forests – Austrália, Michael Jenkins do Forest Trends – Estados Unidos, e da “Conservação da natureza no mundo corporativo” na visão da David Canassa do Grupo Votorantim e Malu Nunes da Fundação Boticário no Brasil.