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O IMPORTANTE PAPEL DO SETOR FLORESTAL BAIANO

Artigo – Wilson Andrade* (janeiro 2018)

A Associação Baiana das Empresas de Base Florestal (ABAF) acaba de entregar o Bahia Florestal 2017 – relatório que mostra um panorama completo da cadeia produtiva de base florestal no estado da Bahia (e com referências ao Brasil). O documento foi feito com a cooperação das empresas (e associações de produtores) associadas à ABAF e teve dados compilados pela STCP Engenharia de Projetos Ltda.

Com isso, estamos renovando nosso compromisso de caminhar no sentido da valorização e fortalecimento do setor de árvores plantadas e dos produtos dele derivados. Este trabalho começou em 2004 quando o setor de base florestal na Bahia se uniu para criar a ABAF e, assim, tomou a dianteira no sentido de contribuir para um desenvolvimento com bases sustentáveis, seja do ponto de vista econômico, ambiental ou social.

A força da ABAF, porém, vêm da participação das empresas associadas e também das associações regionais em cada polo produtor do estado que, por sua vez, representam e congregam pequenos e médios produtores locais. Da mesma forma, a ABAF (em sintonia e integração com as demais estaduais), fortalece a nossa entidade nacional que é a Indústria Brasileira de Árvores (Ibá).

Nossos desafios, porém, se renovam e se diversificam. A ABAF se prepara para uma expansão expressiva do setor, tanto pelo crescimento da população e do consumo, quanto pela entrada, cada vez mais forte, de novas indústrias, em função dos diferenciais competitivos naturais do Brasil e, especialmente, da Bahia.

Dentre os principais setores econômicos da Bahia, destaca-se o setor de base florestal que tem alavancagem de diversos outros segmentos que demandam madeira nos seus processos produtivos, a exemplo da construção civil, da indústria de papel e celulose, a metalúrgica, energia de biomassa, a secagem de grãos do agronegócio, madeira e móveis, entre outros. Isso faz com que, mesmo nos últimos dois anos de redução de economia nacional (e do estado), o setor de base florestal continuou crescendo em referência a empregos, exportações, investimentos, diversificação e desconcentração da atividade econômica no estado.

Percebemos que o setor de base florestal continua com notável ampliação geográfica (647,8 mil hectares plantados) e diversificação de produtos finais (o estado abriga atualmente 636 empresas diretamente ligadas ao setor de base florestal). Tudo isso, possibilitando a inclusão de pequenos e médios produtores e processadores na cadeia produtiva florestal. Além disso, ressaltamos neste relatório a posição do setor nos índices estaduais referentes a desenvolvimento econômico, social e ambiental.

O Produto Interno Bruto (PIB) da cadeia produtiva do setor florestal-industrial da Bahia atingiu R$ 9,3 bilhões em 2016 (4% no total do PIB estadual). A arrecadação tributária do segmento para a Bahia em 2016 foi de R$ 2,69 bilhões (3,2% no total arrecadado pelo estado). É responsável por comercializar internacionalmente 19% do total das exportações gerais do estado. Em 2016, o setor investiu R$ 713 milhões no estado, sendo que 60% deste total foi destinado aos plantios florestais, 37% à indústria e os outros 3% referem-se a programas socioambientais, bem como à pesquisa e inovação florestal. Dos 3,04 milhões de empregos do setor florestal brasileiro em 2016, a Bahia foi responsável por 7,5%, ao ter gerado 228,7 mil empregos (diretos, indiretos e efeito-renda). Os programas de fomento florestal firmados pelas associadas da ABAF totalizaram mais de 78 mil hectares plantados, com cerca de 410 contratos em 2016, beneficiando mais de 2.500 famílias.

Além disso, estima-se que entre 450-500 mil hectares com ecossistemas florestais nativos no estado são destinados à proteção e preservação ambiental. Deste total, as empresas associadas da ABAF contribuem com 381 mil hectares, o que representa cerca de 88% do total. 

Todas essas evidências reforçam o papel importante do setor florestal, inclusive, na política climática nacional e mundial, com a possibilidade de ganhos adicionais por Pagamento por Serviços Ambientais (PSA). A indústria da árvore plantada representa o futuro, porque é a base do atendimento do suprimento de matérias-primas renováveis, recicláveis e amigáveis ao meio ambiente, à biodiversidade e à sustentabilidade da vida humana.

Leia o Bahia Florestal na íntegra no site da ABAF (abaf.org.br).

Wilson Andrade           

Empresário e economista com vasta experiência nas áreas de fusões e aquisições empresariais, relações internacionais e comércio exterior, indústria e agronegócio, Wilson Andrade tem presidido várias entidades setoriais no Brasil e exterior. Desde 2011 tem se dedicado também ao setor florestal, na diretoria da Associação Baiana das Empresas de Base Florestal (ABAF), a qual participa de mais de 30 diferentes fóruns estaduais e nacionais, onde ocorre uma constante troca de informações e experiências que contribuem para a formulação de políticas públicas e privadas para o desenvolvimento contínuo e sustentável das atividades florestais.

Atividades atuais: diretor executivo da Associação Baiana das Empresas de Base Florestal (ABAF), presidente da Bolsa de Mercadorias da Bahia, cônsul honorário da Finlândia na Bahia e Sergipe, presidente do Sindicato das Indústrias de Fibras Naturais da Bahia (Sindifibras), presidente da International Natural Fibres Organization (INFO-Amsterdam), presidente da Comissão de Comércio Exterior da Associação Comercial da Bahia (Comex-ACB), sócio diretor da Canabrava Agroindustrial e membro do Comitê Consultivo (CC) do Fundo Comum de Commodities (CFC) da Organização das Nações Unidas (ONU).