14.06.22

Conselho Deliberativo da Ibá debate questões de mercado de carbono

Com a cada vez mais emergente pauta dos mercados globais de carbono, Horacio Lafer Piva, presidente do Conselho Deliberativo, e Paulo Hartung, presidente executivo, convidaram para falar na reunião do Conselho Deliberativo da Ibá a pesquisadora da Embrapa Florestas, Josiléia Acordi Zanatta, para apresentar as conclusões do estudo “Índice de alteração do carbono no solo, em conversões de uso do solo envolvendo plantações florestais no Brasil”. O diretor executivo da Associação Baiana das Empresas de Base Florestal (ABAF), Wilson Andrade, participou da reunião.

Acompanhada por Marcos Rachwall e pelo diretor da Embrapa, Erich Schaitza, Josileia explicou que o estudo demonstra que as árvores cultivadas brasileiras apresentam índices de alteração de carbono no solo melhores do que a média estimada previamente, no nível internacional.

Paulo Hartung destacou a relevância do tema e reforçou o interesse do setor em interagir para aprofundar e ampliar o estudo, que é do interesse não só do setor, mas do Brasil. Horacio Lafer Piva comentou que o estudo valoriza todo o trabalho feito pelos especialistas florestais brasileiros, para o hoje e para o amanhã.

De acordo com o documento, ao contrário do que se imaginava, a conversão de terra de outras culturas para plantios florestais não tem perda de 33%, mas de apenas 5%.  Segundo a palestrante, “mais de 70% das áreas onde o plantio florestal está sendo convertido são oriundas de pastagens. Neste sentido, há um ganho potencial de estoque de carbono que não vinha sendo considerado”.

O Embaixador José Carlos da Fonseca Jr, diretor executivo da Ibá, relatou sua participação no Congresso Mercado Global de Carbono, iniciativa do Ministério do Meio Ambiente (MMA), realizado no Rio de Janeiro em meados de maio passado, e no Seminário organizado em 03/06, pela FIESP, sob o título Mercado de Carbono no Brasil.

O evento no Rio, realizado no Jardim Botânico, culminou com a edição do decreto que cria um mercado de carbono no Brasil, definindo que os segmentos da economia dialoguem para estabelecer seus planos setoriais de descarbonização, com vistas à meta de redução de emissões de GEE do Brasil até 2050. O Decreto ainda necessita de uma legislação para ser fortalecido e garantir segurança jurídica, como é amplamente reconhecido.

O Embaixador reforçou que a Ibá está ativa em consulta com o Comitê de Mudanças Climáticas, e atuando para desenvolver um plano setorial que nos habilite a participar do mercado de carbono e processo de criação.

Além desse tema, Sara El Kadri, gerente de Comunicação Corporativa e Marca da Suzano e membro do Conselho Internacional do PEFC, e Camila Marangon, da Ibá, reportaram a participação do setor brasileiro na Members’ Meeting do PEFC, em Dublin, no final de maio. O Brasil foi o único país a representar a América Latina.

Dentre os pontos destacados, o anúncio do novo CEO do PEFC, o alemão Michael Berger, que ocupava até então a cadeira de diretor técnico da organização. Sara El Kadri propôs, ainda, que, durante a visita do espanhol Eduardo Rojas, presidente do Conselho do PEFC Internacional, prevista para setembro, à América Latina, seja agendado encontro na Ibá, proposta bem recebida pelos CEOs.

Camilla também fez rápida apresentação sobre a reestruturação do PEFC no Brasil e como essa irá colaborar para um maior protagonismo do país e das plantações em nível internacional e regional.

Camilla discorreu também sobre a Assembleia Geral do FSC, a realizar-se em outubro na Indonésia, durante a qual serão discutidas diversas moções, inclusive sobre conversão, consentimento livre, prévio e informado, intensificação sustentável, e OGM. Cabe registrar que há propostas com riscos de potencial impacto negativo a nossos interesses, o que só reforça a convicção de que a Ibá e suas associadas precisam se fazer presentes na atual fase preparatória e na própria AG do FSC.

Patrícia Machado (Ibá) também teceu breves comentários de atualização sobre o avanço do projeto especial de sensoriamento satelital das áreas de florestas cultivadas em 14 estados brasileiros. Registrando a boa avaliação até agora recebida pelos relatórios técnicos, foi observado que o projeto resulta de boa parceria entre a Ibá e suas associadas, em especial as Associações Estaduais.