As oportunidades e os desafios que a diversidade cultural apresenta às empresas e fundações para construir, com outros atores, o desenvolvimento sustentável será tema do XI Fórum Internacional RedEAmérica, o FIR 2019, no dia 21 de março, no Hotel Wish, em Salvador (BA). Atentas à questão de sustentabilidade, a Associação Baiana das Empresas de Base Florestal (ABAF) e a Universidade Estadual de Santa Cruz (UESC) são parceiras no cálculo de compensação ambiental da pegada de carbono do evento (www.fir-redeamerica.org).

O professor José Adolfo de Almeida Neto, do Departamento de Ciências Agrárias e Ambientais da UESC, informa que a compensação ambiental da pegada de carbono tem sido utilizada como medida mitigadora das emissões de gases do efeito estufa (GEE) geradas pelos eventos. Após o cálculo, o professor recomendou o plantio de 700 árvores urbanas como compensação das emissões do evento. Nesse sentido, um plantio simbólico de 15 árvores de espécies nativas da Mata Atlântica será realizado pela Secretaria Municipal de Sustentabilidade, Inovação e Resiliência (SECIS) no dia 19/3, às 12h30, na Escola Municipal Anita Barbuda, localizada no bairro de Nordeste de Amaralina. As outras 685 mudas serão plantadas após o evento.

O cálculo da pegada de carbono baseia-se na norma ABNT ISO/TS 14067:2015, referência internacional na quantificação e comunicação da pegada de carbono de produtos, incluindo mercadorias e serviços, com base no inventário de emissões e remoções de GEE associadas a materiais e energia utilizados no ciclo de vida do evento, ou seja, todas as fases envolvidas, desde as atividades de preparação (transporte de palestrantes e participantes), durante a realização (energia elétrica e alimentação), bem como após o evento. Os fatores de emissões utilizados têm como referência os dados mais atuais fornecidos pelo Painel Intergovernamental de Mudanças Climáticas (IPCC) para 100 anos de referência. O cálculo da compensação foi realizado considerando o potencial de sequestro de CO2 e sua acumulação na forma de biomassa (raízes, tronco, folhas etc) de árvores utilizadas no paisagismo urbano, com base numa vida útil média de 25 anos”, explica o professor.

“Faz parte da nossa visão contribuir com ações que tenham a ver com o meio-ambiente, com a sustentabilidade e com a multiplicação de árvores. As ações da ABAF estão muito voltadas para as regiões rurais, o que é muito bom porque descentraliza o desenvolvimento, a geração de emprego etc. Mas, pela terceira vez, temos a oportunidade de contribuir para o reflorestamento gradual, e que esperamos que seja continuado, em Salvador. A preservação faz parte do nosso negócio. As empresas do setor preservam mais de 380 mil hectares de matas nativas no interior do estado e essa é uma ótima iniciativa para contribuirmos em Salvador”, declarou o diretor-executivo da ABAF, Wilson Andrade.

Esta ação foi realizada pelo grupo de Gestão do Ciclo de Vida, coordenado pelo professor José Adolfo, como parte das ações de extensão realizadas no âmbito do Programa ACV de AaZ, em parceria com a Universidade Tecnológica Federal do Paraná (UTFPR), Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS), Universidade Estadual de Campinas (UNICAMP), Instituto Alberto Luiz Coimbra de Pós-Graduação e Pesquisa em Engenharia (COPPE UFRJ), Universidade Estadual de Santa Cruz (UESC), Instituto Brasileiro de Informação em Ciência e Tecnologia (IBICT), Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (EMBRAPA), Fundação Espaço ECO, Consultoria Quantis – Sustainability Counts e Consultoria GreenDelta.

FIR 2019 – As conferências discorrerão também sobre a inclusão e a desigualdade no Brasil e América Latina, a questão das imigrações, as temáticas referentes às identidades de gênero, educação, inovação e a necessidade de diálogo entre diferentes atores. De acordo com Cecília Galvani, representante do Bloco do Brasil da RedEAmérica, o FIR tem como objetivo provocar debates e reflexões a respeito do papel, das práticas, oportunidades e desafios à construção do desenvolvimento sustentável nos territórios da América Latina, através de processos transformadores de capacitação.

O evento é organizado pela RedEAmérica, uma rede temática dedicada a partilhar experiências importantes, conhecimento e boas práticas sobre comunidades sustentáveis, e possui representação em 14 países da América Latina e Caribe. No Brasil, seu bloco é composto por organizações que são referência como a Fundação Alphaville, Fundação Otacílio Coser, Instituto Arcor Brasil, Instituto BRF, Instituto Camargo Corrêa, Instituto LafargeHolcim, Instituto InterCement, Instituto Lina Galvani, Instituto Votorantim e Natura Cosméticos.

Também serão apresentadas experiências de empresas que atuam em territórios marcados por distintas etnias e nacionalidades, que incorporaram a diversidade em seu modelo de negócio por meio de ações na operação, na cadeia de valor ou no investimento no entorno. “Um dos nossos objetivos nesse encontro é favorecer os vínculos entre atores envolvidos com o tema, além de criar oportunidades de vivenciarem a riqueza existente na diversidade. E nada melhor do que esse espaço promovido pelo Fórum Internacional da RedEAmérica para praticarmos o fortalecimento dessa rede de atuação pela promoção de comunidades sustentáveis”, explica Cecília Galvani.

Sobre a RedEAmérica – A RedEAmérica é uma rede de empresas e fundações referência no conhecimento e articulação de práticas, composta por mais de 80 organizações de origem empresarial de 14 países da América Latina e Caribe. Seu papel é conectar os que possuem em comum o interesse de gerar comunidades sustentáveis, dar-lhes ferramentas de aprendizagem, facilitar sua interação e tornar visíveis seus esforços, para que cada uma das entidades que fazem parte da rede possa aproveitar o conhecimento das demais, e, juntas, construir as estratégias que precisam para realizar comunidades sustentáveis.