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Uso de madeira plantada na construção civil

Artigo – Wilson Andrade* (maio 2019)

“Se o século VXII foi caracterizado por trabalhos com pedras, o século XVIII pelo refinamento da alvenaria, o XIX como o auge da estrutura metálica e o XX como a era do concreto, isso deixa o século XXI aberto para o próximo sucessor. Minha aposta é a madeira”. A declaração do professor Alex de Rijke, do Royal College of Arts (Londres) mostra o interesse cada vez maior do uso da madeira em construções civis.

Ramos da engenharia, da construção civil, arquitetura e design mostram inúmeras aplicações da madeira industrializada num contexto que ainda é novo no Brasil e que pode vir a se tornar nicho de negócios na Bahia. É preciso conhecer e divulgar, cada vez mais, as mais novas tecnologias em madeira industrializada na construção civil, entre elas, por exemplo, a madeira laminada colada e a madeira laminada cruzada.

As vantagens competitivas da madeira plantada para o setor de construção civil também é de interesse da Associação Baiana das Empresas de Base Florestal (ABAF) que vem investindo na divulgação do uso múltiplo da madeira em seus programas “Mais Árvores Bahia” e “Programa Ambiente Florestal Sustentável”, que inclusive contam com a parceria da academia.

O objetivo é sensibilizar e conscientizar especialmente profissionais e estudantes da Engenharia Civil e Arquitetura quanto ao emprego da madeira em construções de menor impacto ambiental, utilizando técnicas racionalizadas de projeto e de execução, e desenvolvendo edifícios de médio e grande porte com a mesma solidez e segurança de outros construídos com técnicas tradicionais em concreto e aço.

A aproximação da academia com a indústria é importantíssima para tornar a madeira um material mais estudado, divulgado e utilizado na arquitetura e na construção civil. Ambas podem tirar proveito dessa relação. De um lado a academia tem a possibilidade de entender como funciona o mercado, quais as características de uso deste material e propor estudos das demandas da indústria. Do outro lado, as indústrias terão soluções elaboradas por profissionais qualificados, divulgarão seus produtos para futuros profissionais da área, além ter acesso a pesquisas e tecnologias atuais.

A academia tem muito a oferecer para melhorar as vantagens competitivas do setor. Precisamos trabalhar para que o mercado atenda as demandas locais por madeira. Temos, aqui na Bahia, ótimas iniciativas no setor de celulose e papel, por exemplo, mas o mercado tem que se desenvolver de forma mais ampla. Precisamos produzir madeira para a construção civil e, por outro lado, mostrar para este segmento que madeira plantada é um ótimo material e pode ser até mais competitivo que os demais.

Este trabalho já tem sendo desenvolvido, através do Programa Mais Árvores Bahia, pela ABAF em parceria com uma série de entidades ligadas à agricultura, indústria e à qualificação de mão de obra. O programa tem o objetivode incentivar a inclusão de pequenos e médios produtores no plantio, manejo e processamento da madeira de florestas comerciais para usos múltiplos. O programa trabalha, ao mesmo tempo, com três vértices: produtores de madeira; compradores e processadores de madeira; e consumidores finais (através das revendas de madeira, indústrias de móveis e construção civil). Com isso, visa atender também a demanda por móveis, peças e partes de madeira para construção civil na Bahia – hoje atendida, na sua maior parte, por outros estados brasileiros.

*Empresário e economista com vasta experiência nas áreas de fusões e aquisições empresariais, relações internacionais e comércio exterior, indústria e agronegócio, Wilson Andrade tem presidido várias entidades setoriais no Brasil e exterior. Desde 2011 tem se dedicado também ao setor florestal, na diretoria da Associação Baiana das Empresas de Base Florestal (ABAF), a qual participa de mais de 40 diferentes fóruns estaduais e nacionais, onde ocorre uma constante troca de informações e experiências que contribuem para a formulação de políticas públicas e privadas para o desenvolvimento contínuo e sustentável das atividades florestais.