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06.10.15

Cobertura do Lançamento do Programa Fitossanitário de Controle da Lagarta Parda no Estado da Bahia

No último dia 02 de outubro de 2015, a Secretaria da Agricultura (Seagri-BA), através da Agência de Defesa Agropecuária da Bahia (Adab), da Associação Baiana das Empresas de Base Florestal (ABAF) e entidades parceiras realizaram o seminário de lançamento do Programa Fitossanitário de Controle da Lagarta Parda no Estado da Bahia. O seminário, que reuniu mais de 170 pessoas, aconteceu no Salão de Leilões (Tartesal) do Parque de Exposições de Teixeira de Freitas (BA).

“Especialistas estiveram reunidos para dialogar com os produtores rurais e, conjuntamente, definir um plano de manejo para o efetivo controle da lagarta parda com a participação das prefeituras, das empresas, das entidades ambientais que são membros da Comissão Técnica Regional (CTR), estabelecida e liderada pela Adab”, explicou o diretor executivo da ABAF, Wilson Andrade.

O seminário contou com as palestras do presidente da ABAF, Sérgio Borenstain que apresentou o setor florestal na Bahia e no Brasil; do presidente executivo da Aspex, Gleyson Rezende, que falou da atuação da Associação dos Produtores de Eucalipto do Extremo Sul da Bahia; do professor do Departamento de Ciências Ambientais da Universidade Federal de São Carlos (UFSCar) Pedro José Ferreira Filho, que apresentou o controle biológico da lagarta parda na Bahia; e do diretor da ADAB, Armando Sá, que abordou as ações conjuntas da ADAB e parceiros.

Na ocasião também foi lançada a cartilha sobre o Programa Fitossanitário de Controle da Lagarta Parda na Bahia que traz informações sobre a praga: biologia, plantas hospedeiras, ocorrência, monitoramento e controle, saúde humana etc. No folder é possível ainda ter informações sobre o programa e contatos para mais informações e apoio técnico. É possível ler a cartilha na íntegra no http://issuu.com/abaf_2014 e no site da ABAF (http://abaf.org.br).

Defesa – O secretário estadual da Agricultura, Paulo Câmera, lembrou que a lagarta parda, cujo ataque provoca o desfolhamento das plantas, já ocorre em 14 estados brasileiros, o que torna a questão um problema nacional diante dos problemas que causa com graves reflexos na pauta de exportação. “A defesa agropecuária é uma das prioridades do governo, mas a participação do setor privado e dos produtores rurais é indispensável, sendo a informação e conscientização fatores de grande importância para viabilizar as ações de prevenção e de controle à praga”, disse. O Superintendente de Políticas do Agronegócio da Seagri, Guilherme Bonfim, disse que este programa visa estabelecer um método de controle preventivo “para que não aconteça, por exemplo, o que aconteceu no Oeste do estado com a Helicoverpa que causou prejuízo na ordem de R$ 1,6 bilhão”.

De acordo com Oziel Oliveira, diretor geral da Adab, “as lagartas estão entre as principais pragas que atingem os plantios de eucalipto. São 110 espécies nativas do Brasil. Picos populacionais da praga geralmente estão associadas aos eventos que deflagrem algum tipo de desequilíbrio ambiental. Em nosso cenário, possivelmente, os aspectos climáticos contribuíram”. Para Armando Sá, diretor da Adab, a lagarta parda é uma praga que está impactando muito a região. “Como primeira ferramenta desse controle, estamos empossando a Comissão Técnica Regional (CTR) que é de suma importância, pois ela agrega todos os elos da cadeia envolvidos na questão do reflorestamento e de outras culturas que possam ser impactadas”, explicou.

O presidente da ABAF, Sérgio Borenstain, ressaltou a importância de todos os produtores rurais e das grandes empresas participarem. “É importante o envolvimento de todos para que haja o monitoramento da lagarta parda e o controle, de preferência, biológico”.

Especialista no assunto, o professor Pedro José Ferreira Filho explicou melhor esse controle com o inseticida biológico à base de Bacillus thuringiensis. “É através do monitoramento que nós vamos conseguir determinar o nível de dano e que vamos conseguir implementar a forma de controle correto, que seria na verdade, o uso de um inseticida biológico, pois este é um produto que não prejudica o homem e os animais já que é específico para controle das desfolhadoras. Ele é atóxico ao meio ambiente, inclusive porque a bactéria já existe no meio ambiente, sem causar danos a outros organismos.” De acordo com o professor do Pedro José Ferreira Filho, esta espécie não causa dano ao homem. “As lagartas não são urticantes e as mariposas, que perdem escamas naturalmente, não liberam pó tóxico”, explica.

Representando os produtores de eucalipto do Sul e Extremo Sul da Bahia, o presidente executivo da ASPEX, Gleyson Araújo, também esteve presente. “Nós estamos participando desse evento para que, juntamente com a comissão técnica que foi montada, discutirmos a importância de fazermos estudos e trabalhos científicos para entender melhor essa praga que nos assola”, declarou.

Também representando produtores rurais, mas da cultura do café, Alberto Cangussu (vice-presidente da Assocafé) disse que o encontro é importante para que ocorra a conscientização de todos. “O nível de dano econômico não chegou ainda a algumas propriedades, mas se não tivermos uma movimentação conjunta pode acarretar sequelas bem maiores. Por isso considero necessária, uma divulgação mais ampla para que possamos juntar forças visando o combate da lagarta parda”, disse.

Ocorrências – Essa iniciativa veio após a constatação de que nos últimos meses, os plantios de eucalipto, café e de outras culturas localizados no Sul e Extremo Sul da Bahia têm sofrido com o ataque de lagartas, com predomínio da espécie lagarta parda (Thyrinteina arnobia), responsável pelo desfolhamento de plantas. Este inseto é nativo, com presença já registrada ao longo dos anos em 14 estados brasileiros. Especialistas acreditam que mudanças no clima e desaparecimento de inimigos naturais podem estar favorecendo o aumento momentâneo da população deste inseto.

As lagartas – e as mariposas que elas se transformam – ficam normalmente nas áreas de cultivo. Uma das possíveis causas da presença dos insetos nas áreas urbanas é a forte atração que a luminosidade exerce sobre as mariposas. A atração pela luz é, inclusive, utilizada no controle de surtos esporádicos desses insetos por meio da instalação de armadilhas luminosas que atraem e apreendem as mariposas.

Produto – O controle à praga de lagartas nos plantios de eucalipto está sendo realizado com o inseticida biológico à base de Bacillus thuringiensis. Trata-se de um produto biológico, de ocorrência natural, que controla de maneira eficaz as lagartas desfolhadoras. O produto é específico para lagartas, ou seja, não oferece risco à saúde do homem e animais. O mecanismo de ação do B. thuringiensis se dá através da liberação de toxina no sistema digestivo alcalino das lagartas e, por isso, é inofensivo a todos os demais organismos, inclusive aos pássaros que se alimentam das lagartas mortas.

Também não causam efeito de dispersão dos insetos para outros locais fora das áreas de controle. Além disso, preserva os inimigos naturais da praga, permitindo o estabelecimento do equilíbrio natural, assim que rompido o ciclo do surto atual. O produto (que é utilizado há mais de 70 anos) pode ser pulverizado de forma terrestre ou aérea e deve ser realizado sob rigoroso monitoramento de técnicos e de empresas especializadas.

Isso demonstra as práticas responsáveis das empresas para com o manejo florestal, preservação ambiental e respeito às comunidades circunvizinhas às suas operações. Estas iniciativas estão em linha com os padrões normativos internacionais, que orientam o uso racionalizado e previamente autorizado de produtos químicos. “As empresas de base florestal estão unindo esforços a outras instituições de pesquisa, extensão e de produtores rurais para buscar soluções coletivas que possam fazer frente ao risco de aumento desta ameaça à produtividade da agricultura na região”, informa Wilson Andrade, diretor executivo da ABAF.