15.02.17

Setor de base florestal é mais uma vez líder das exportações baianas

O setor de base florestal se coloca mais uma vez em primeiro lugar no montante das exportações da Bahia. De acordo com dados disponibilizados pela Federação das Indústrias do Estado da Bahia (FIEB), a Bahia exportou U$S 6.8 bilhões em 2016. O setor florestal teve participação de 18%, com U$S 1,2 bilhão. Na sequência, outros setores importantes como o de Química e Petroquímica, com 13% (U$S 880 milhões); o setor de Cobre e outros Metais com 12% (U$S 816 milhões) e o de Produtos do Agronegócio com 11,4% (U$S 780 milhões). Os dados disponibilizados pela FIEB mostram ainda que as exportações da Bahia em 2016 tiveram uma redução de 14% em relação ao ano de 2015.

Uma retração também foi apontada pelas informações analisadas pela Superintendência de Estudos Econômicos e Sociais da Bahia (SEI), autarquia da Secretaria do Planejamento (Seplan). Segundo a SEI, no período de janeiro a novembro de 2016, comparando-se com o mesmo período do ano anterior, a produção industrial baiana registrou taxa negativa de 4,7%. Neste período, porém, o setor de base florestal foi um dos que teve aumento na produção, com 2,2%.

O diretor executivo da Associação Baiana das Empresas de Base Florestal (ABAF), Wilson Andrade, informa que o setor de base florestal continua com possibilidade de crescimento em termos de exportações e investimentos. “Isso ocorre porque o setor recebe alavancagem de cinco diferentes setores que utilizam madeira plantada em seus processos produtivos: papel e celulose; construção civil; mineração; energia de biomassa; e painéis, pisos e laminados. Estes setores terão recuperação com a expectativa de volta do crescimento do Brasil”.

A indústria de energia de biomassa de eucalipto, explica Andrade, é a mais recente e que tem mais a contribuir para a diversificação da matriz energética do estado, atendendo a demanda das regiões mais distantes. “Essas regiões mais distantes dependem de investimentos de redes de distribuição, inclusive se levarmos em conta a matriz eólica ou solar. A que menos exige unidades de transmissão é a energia de biomassa. E, na Bahia, já temos dois exemplos nesta área: a usina Campo Grande, em implantação em Barreiras, e a unidade da ERB que funciona na Dow Química e atende boa parte da sua demanda em energia e calor. Isso representa uma oportunidade de investimento em unidades produtoras de energia de biomassa”, explica.

Para Andrade, o crescimento econômico conta ainda com a expectativa de liberação dos investimentos estrangeiros no setor florestal que estão bloqueados há mais de quatro anos. “Existem acordos desenvolvidos com a Casa Civil e as lideranças partidárias no Congresso para o retorno desses investimentos. A liberação da compra de terras por estrangeiros no Brasil deverá provocar um grande fluxo de investimentos no país, principalmente por parte de fundos em busca de rentabilidade segura e de longo prazo. Os investimentos estrangeiros em florestas plantadas podem ajudar a economia do país e da Bahia. Estima-se a possibilidade de investimentos no setor florestal na ordem de R$ 50 bilhões nos próximos cinco anos. E a Bahia, líder mundial em produtividade de eucalipto, deve trabalhar para assegurar boa parte desses investimentos”, declara Andrade.